sábado, 10 de novembro de 2012

Saldo do dia: positivo, bastante positivo!!! E você tem essa certeza quando se olha no espelho no fim do dia, e percebe que o olhar já não é o mesmo de algum tempo. Isso é muito bom. É claro que a mudança desse olhar não é um resultado somente de hoje. O saldo percebido hoje, já é o acúmulo de muitas outras coisas. Mas há dias em que a mudança do olhar se faz mais notória. Muitas coisas me salvam de mim e me devolvem melhor. Essa semana estava (talvez ainda esteja) nostálgica, e precisando da companhia que às vezes nos faz muita falta: a nossa própria. Sendo assim, e tendo consciência disso há alguns dias, resolvi ir ver um espetáculo de uma companhia famosa pela sua história e apresentações: Edisca. Resolvi ir como já resolvi muita coisa que me surpreende: de última hora. Assim, como gosto das coisas, sem muito planejamento. Vi o anúncio do espetáculo e fui. E sabia que precisava ir sozinha. Primeira surpresa: título do espetáculo (que eu ainda não havia tomado conhecimento): "Só", e a sinopse muito bem descrita: "O espetáculo inaugural da Edisca Cia de Dança, composta por 13 bailarinos formados na Edisca, intitulado SÓ, expõe o comportamento de nossa solidão, os encontros e desencontros, as falas ininteligíveis, o ritmo descompassado dos desejos, as tensões, os cansaços, o flerte com a promessa de liquidação de nossa solitude." E foi isso mesmo o espetáculo. Um verdadeiro eSPETÁCULO do que a nossa solidão necessária, e outras vezes não, pode nos provocar. Saí,  querendo fechar minha cota de "solidão" do dia.  Saí do teatro e liguei pra uma pessoa que conheço há pouco tempo e é dessas que te deixam com uma vontade e curiosidade inexplicáveis de descobri-las um pouco mais. Talvez pelo bem que provocou em você, ou porque sabendo da sua leveza e como te deixam à vontade, é nessas pessoas que você pensa nessas horas. Não sei, o lugar também ajuda, também me fez lembrá-lo.  Ele não atendeu, então pensei, com a calma que conquistei há algum tempo e ainda anestesiada pela beleza do espetáculo: mais um desencontro, é um fato simples, só um telefonema não atendido, mas um desencontro. Pronto, não tinha a companhia que essa noite me lembrou de procurar, então voltei a desejar a minha própria. Nos dias em que você está assim, ou se tem aquela companhia  que seu coração inspira ou busca-se a si mesmo. Fui passear pelo Dragão do Mar, é um lugar que me acalma. E passo pela surpresa final: tão inusitado que se tornou cômico. Dei as gargalhadas que precisava.  Ele me parou para pedir informação, com aquela cara de quem não está nenhum pouco perdido. Respondi o que me perguntava educadamente, mas firme o suficiente para que percebesse que estava só cumprindo o papel de informante. Passei pelos carrinhos de lanche e dando conta da minha fome e da necessidade de passar mais alguns instantes comigo, sentei para comer. Chega o "perdido" novamente. rs Pensei: "acho que ele não entendeu a informação, deveria estar do outro lado". rs Perguntou se podia sentar, com uma sutileza e humildade tão grande, que só o fato de pensar em negar, me causava constrangimento.  Além do mais, não tinha nada a perder, nem via muito risco, caso ele não fosse uma pessoa de bem. Estava num local público cercada de gente, mas quem me conhece e sabe como sou assustada, sabe que não deixei sem receio nenhum.... Pronto, começou a sessão galanteio... rs de uma forma que há muito tempo eu não via. Era um cara bonito, agradável e surpreendentemente engraçado. Tinha uma  mistura de ingenuidade com malandragem nas colocações e jeito que eu nunca havia visto antes.  A malandragem ficava clara no olhar e alguns trejeitos que revelavam sua intenção: a conquista. mas as palavras e observações era de quem não conseguia esconder, e nessas horas o olhar também mudava, que ainda enxergava além. As palavras não eram muito pensadas, às vezes pareciam até "bobas", como parece "bobo" muita coisa que a gente fala e faz sem pensar. Era como se pensasse em voz alta. Era um galanteador fino, embora às vezes parecesse uma criança se declarando pra primeira namoradinha. E nessas horas eu tinha que abafar a risada pra não parecer que fazia pouco caso. Enfim, ele não é a outra surpresa pelos "galanteios", mas pela forma com que o fez e pelas coisas de que me relembrou. Percebia detalhes e os mostrava com uma simplicidade tão grande, que me surpreendia. Não, ele não me interessou, nem teve um saldo "positivo", não do jeito que ele queria, mas da forma que eu precisava. Há pessoas que enxergam coisas em você que você mesmo já havia esquecido, e as resgatam para você.   Em nenhum momento me senti atraída por ele. Não, isso não foi um conto de fadas com o final que a gente queria. rs Mas ele foi, sem dúvida, alguém que precisava aparecer, hoje, e me falar, com a despretensão que usou, o que eu talvez precisasse ouvir hoje!! Claro que não foram elogios gratuitos, ele tinha as intenções dele, mas fez a sua parte, sem saber do que se tratava. Saiu sem o "lucro" que objetivou. Não, nenhum beijinho!! Mas deixou o que precisava deixar!! :)

Quinta - 08/11/2012

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